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As cavalgadas de Luiz Homero

A história que temos para contar hoje, é do cavaleiro Luiz Homero que reside em Brusque SC, região do Vale do Itajaí. Nascido em Marília, SP e criado entre a cidade e o campo, Luiz teve seu primeiro contato com o mundo equestre aos 9 anos de idade, quando começou a montar com seu tio Camilo em sua fazenda (Santa Rosa) em Marília. Ele se considera um apaixonado por cavalos, tendo começado a cavalgar por volta dos 12 anos, com amigos. Saía da fazenda do tio e ia passar o final de semana nas fazendas dos amigos, em Marília.
O desejo de permanecer mais tempo em companhia dos cavalos foi o que lhe inspirou a fazer sua primeira viagem e hoje, para ele, cavalgar significa conectar-se com o universo “Reflexão, meditação. Sentir o coração e a respiração do animal compassados com o seu coração, com a sua respiração. Compartilhar com ele nossas necessidades básicas, de água, alimento, descanso. Dormir sob o mesmo teto, respirar o mesmo ar. Viajar a cavalo significa deixar os problemas para traz. Olhar o mundo com olhos de peregrino. O Viajante sai em busca de novas paisagens, o Peregrino sai em busca de novos olhares.” contou.

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Luiz Homero faz, em média, 2 viagens a cavalo ao ano. Porém, monta com regularidade ao menos duas vezes por semana “Como sinto mais prazer montando meu próprio animal, meus sonhos limitam-se a roteiros onde possa leva-los.”
Luiz ainda vislumbra cavalgar pelas Chapadas do Brasil (Diamantina, Veadeiros, Guimarães), e pela Trilha dos Tropeiros (R.S até Sorocaba). Também gostaria de cavalgar pela Região da Serra Gaúcha.
Para esse cavaleiro, o sentimento de proximidade com Deus e renovação que as viagens a cavalo lhe trazem, são fatores que o fazem pensar na próxima cavalgada. E ele já tem em sua bagagem muitas viagens interessantes como:

• Lagoa dos Patos (Porto Alegre e Pelotas).
• Estrada Real MG – de Aparecida do Norte até Prado de Minas.
• Interior do Paraná – Umuarama à Douradina.
• Umuarama – Cidade Gaúcha.
• Maria Helena e Marechal Rondon.
• Litoral Catarinense – da Praia da Pinheira à Garopaba.
• Serra Catarinense – Alfredo Vagner, Bom Retiro e Urubici.

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Em uma de suas viagens, durante um imprevisto na estrada, Luiz se acidentou com o caminhão que levava alguns cavalos e por muita sorte todos saíram ilesos. “Regressando de uma cavalgada, com 4 cavalos na carroceria do caminhão, em uma estrada levantada, beirando um arrozal, ao desviar de um motorista bêbado, tombei o caminhão no arrozal alagado. Os animais presos pelos cabrestos, entraram em desespero no interior da gaiola do caminhão, enquanto a água invadia tudo. Apesar dos gritos de todos “não faça isso”, entrei com os cavalos na gaiola inundada e pedi calma a eles e ajuda divina. Por milagre, eles imediatamente se acalmaram, me permitindo caminhar entre eles e cortar as cordas que os prendiam.

Quando soltei o último, pedi que me seguissem e um a um com cuidado e sem desespero, foram saindo atrás de mim, pela porta inclinada num ângulo de 45°.
Não se mexeram, não me pisaram e certamente me perdoaram por minha barbeiragem.” explicou Luiz Homero.

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Luiz teve a oportunidade de conhecer muitas pessoas em suas viagens, entre elas, um lhe chamou mais a atenção: um Velho Tropeiro de 80 anos, com seus cabelos e barba branca “como as nuvens sobre nossas cabeças”. Seu cavalo, branco, também tinha idade avançada: 22 anos. Luiz contou que eles já haviam cavalgado juntos, do Oiapoque ao Chuí, entre tantas outras viagens. Sua voz era pausada e macia. Montado era um Rei. “Tive o privilégio de absorver cada palavra, cada gesto seu. Nos momentos de aperto, como a travessia de rios e atoleiros, colava neles e escapava ileso das armadilhas. Agradeci a Deus por dias, a bênção de tê-lo me apresentado.
Por sua experiência em viagens com cavalos, Luiz recomenda às pessoas que ainda não viajaram, que elas podem estar perdendo os melhores momentos de sua existência, afinal, para ele o cavalo não é simplesmente um bicho ou um meio de transporte: é um ser, que completa o homem e o faz sentir-se poderoso e livre, basta conectar-se. Durante uma viagem, esta conexão pode acontecer.

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Pedi a ele que escolhesse uma de suas viagens e contasse-nos algo de especial sobre ela.

Cavalgada da Lagoa dos Patos
“Em uma viagem de negócios à Pelotas, fui convidado pelas pessoas do local onde estive para fazer essa viagem. Não conhecia muito sobre a Lagoa, mas fiquei interessado em desbravar um lugar que sempre pensei ser muito interessante, ainda mais à cavalo. Durante a viagem, percebi que era mais do que esperava, me surpreendi com a beleza da paisagem local. O que também chamou muito a minha atenção foi a relação do gaúcho com o cavalo. Jamais esquecerei a música Lago Verde Azul, que representa todas as boas lembranças que tenho dessa viagem, uma saudade enorme inunda meu peito sempre que recordo dela. A travessia dos atoleiros nos Juncais, próximo à praia do Laranjal, com boas pessoas como companhia, suas histórias e seus cavalos, são coisas que não há como esquecer.”

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